A escetamina tem sido cada vez mais conhecida como uma possibilidade no cuidado da depressão que não respondeu bem aos tratamentos iniciais. Junto com esse interesse, surge uma dúvida frequente: qual é a diferença entre a escetamina em spray nasal e a escetamina aplicada pela veia? Na ComportaMente, em Brasília, essa é uma das perguntas que mais escutamos quando conversamos sobre psiquiatria intervencionista. Neste texto, explicamos o que muda entre as duas formas, de maneira equilibrada, lembrando que nenhuma delas é superior à outra em todos os casos e que a indicação sempre depende de uma avaliação individual.
A mesma molécula, caminhos diferentes
O primeiro ponto a esclarecer é que, nas duas situações, estamos falando da mesma substância: a escetamina. Ela atua em um sistema de neurotransmissão diferente daquele em que agem os antidepressivos mais tradicionais, o que ajuda a explicar por que pode ser considerada quando outras estratégias não trouxeram o resultado esperado.
A diferença está no caminho que o medicamento percorre até chegar ao organismo. No spray nasal, a absorção acontece pela mucosa do nariz. Na via endovenosa, o medicamento é infundido diretamente na corrente sanguínea, de forma lenta e controlada. Essa diferença de via traz consequências práticas para a dose, a monitorização e a rotina da sessão.
O que é a escetamina nasal
A escetamina nasal é a forma em spray, de uso pelo nariz. No Brasil, ela é aprovada pela Anvisa para o tratamento da depressão resistente, ou seja, quando a pessoa não obteve resposta adequada a tratamentos anteriores bem conduzidos, e também para situações de depressão em que há risco, dentro das condições previstas em bula.
A aplicação não é feita em casa. Ela acontece em ambiente de saúde, com a própria pessoa administrando o spray sob orientação da equipe. Depois da aplicação, há um período de observação, porque podem surgir efeitos passageiros, como sensação de distanciamento, tontura, sonolência, náusea ou elevação temporária da pressão arterial. A pessoa só é liberada quando a equipe avalia que está bem.
O que é a escetamina endovenosa
Na escetamina endovenosa, o medicamento é diluído e administrado por um acesso venoso, geralmente em infusão lenta, com a dose calculada de forma individual. Durante toda a aplicação, a pessoa permanece monitorizada, com acompanhamento de sinais como pressão arterial e frequência cardíaca, e fica em observação após o término.
Há um ponto importante que fazemos questão de explicar com transparência: o uso endovenoso da escetamina para depressão é considerado fora da bula, o que também se chama de uso off-label. Isso significa que essa forma de uso não está descrita oficialmente na bula aprovada, embora seja apoiada por estudos científicos. Por esse motivo, a indicação exige uma avaliação criteriosa, uma conversa clara sobre benefícios esperados, riscos e alternativas, e o consentimento informado do paciente antes do início.
Comparando as duas formas
Para facilitar a compreensão, reunimos alguns aspectos que costumam ser discutidos na consulta:
- Via de administração: na nasal, a aplicação é pelo nariz. Na endovenosa, por um acesso na veia.
- Controle de dose: o spray nasal segue apresentações e doses previstas em bula. A via endovenosa permite um ajuste de dose mais individualizado, calculado pelo médico.
- Monitorização: as duas formas exigem acompanhamento em ambiente de saúde. Na endovenosa, a monitorização costuma ser contínua durante a infusão, por se tratar de um acesso venoso.
- Observação após a sessão: em ambas, a pessoa permanece em observação até que os efeitos passageiros diminuam.
- Situação regulatória: a forma nasal tem aprovação da Anvisa para indicações específicas. A via endovenosa para depressão é uso fora da bula, apoiado por estudos.
- Logística do dia: nas duas formas, não se recomenda dirigir após a aplicação, e é importante ter alguém para acompanhar a volta para casa.
Nenhum desses pontos, isoladamente, torna uma forma mais adequada que a outra. O que pesa é como cada aspecto se encaixa na história e nas necessidades de quem está sendo avaliado.
Quem pode fazer e quais cuidados são necessários
Antes de qualquer indicação de escetamina, seja nasal ou endovenosa, é necessária uma avaliação cuidadosa. Alguns fatores precisam ser observados com atenção, como pressão arterial, condições cardiovasculares, histórico de uso de substâncias e alguns quadros psiquiátricos específicos. Também analisamos quais tratamentos já foram realizados, por quanto tempo e com que resposta.
Essa etapa costuma começar pela confirmação de que se trata, de fato, de uma depressão que não respondeu aos tratamentos anteriores. Se você quer entender melhor esse conceito, preparamos um conteúdo sobre depressão resistente. E se ainda está no início dessa jornada, vale ler sobre o que fazer quando o antidepressivo não funcionou.
A escetamina dentro de um plano de cuidado
A escetamina, em qualquer via, não substitui o acompanhamento contínuo. Ela entra como parte de um plano mais amplo, que costuma incluir consultas psiquiátricas regulares, ajustes de medicação quando necessários e psicoterapia. Existem também outras abordagens intervencionistas, como a estimulação magnética transcraniana, e explicamos as diferenças entre elas em EMT ou escetamina.
Na ComportaMente, trabalhamos com a escetamina endovenosa, aplicada em sala própria e com monitorização. A forma nasal não é aplicada na clínica. A indicação é sempre definida em conjunto, com tempo para esclarecer dúvidas e com reavaliações ao longo do tratamento. A resposta varia de pessoa para pessoa, e o plano é ajustado conforme a evolução de cada caso.
Converse com nossa equipe
Se você tem dúvidas sobre a escetamina ou quer saber se a escetamina endovenosa faz sentido para a sua situação, nós, na ComportaMente, estamos à disposição para uma avaliação cuidadosa e sem pressa. Nessa conversa, escutamos sua história, revisamos os tratamentos já feitos e explicamos cada possibilidade com clareza. Se fizer sentido para você, agende uma avaliação em nossa clínica em Brasília e construa conosco um plano de cuidado individual.
