Psiquiatria intervencionista
Uma opção de tratamento para a depressão de difícil controle e para a dor crônica, feita sob supervisão médica e com monitorização, sempre com indicação individual. Na ComportaMente, dentro de um cuidado integral em saúde mental.
Em resumo
A escetamina endovenosa é aplicada pela veia, em ambiente monitorizado, para a depressão que não respondeu bem aos tratamentos habituais. Ela atua no sistema do glutamato, por um caminho diferente do dos antidepressivos mais comuns. O plano costuma ter de 6 a 8 infusões de cerca de 40 minutos, com observação de 60 a 90 minutos depois de cada uma. O uso endovenoso para depressão é off-label, amparado pelo Parecer CFM nº 20/2024. Na Clínica ComportaMente, na Asa Norte em Brasília, ela é feita em sala própria, após avaliação psiquiátrica.
Conteúdo revisado por Dr. Marco Túlio Oliveira, psiquiatra (CRM-DF 29.597) · Atualizado em setembro de 2026

O que é
A escetamina é aplicada por via endovenosa, sob supervisão médica, e atua por um mecanismo diferente do dos antidepressivos convencionais. Por isso, pode ser considerada em situações específicas de depressão que não responderam bem aos tratamentos usuais e em alguns casos de dor crônica. Não é um recurso para qualquer pessoa: a indicação é sempre individual e definida em avaliação médica.
Enquanto os antidepressivos mais usados agem principalmente sobre a serotonina e a noradrenalina, a escetamina atua no sistema do glutamato, um dos principais mensageiros químicos do cérebro. Esse caminho diferente ajuda a explicar por que ela pode ser útil em pessoas que não responderam aos tratamentos habituais, e por que, quando há resposta, ela costuma aparecer mais cedo.
Na ComportaMente, a escetamina é considerada principalmente na depressão resistente ao tratamento, sempre como parte de um plano maior, e nunca como recurso isolado.
Evidências científicas
A via endovenosa é a forma mais estudada desse grupo de medicamentos na depressão. As primeiras pesquisas com cetamina endovenosa são do ano 2000, quase duas décadas antes da aprovação da escetamina em spray nasal, e desde então dezenas de estudos controlados avaliaram esse tratamento.
Como a escetamina injetável tem registro na Anvisa como anestésico, e a versão aprovada para depressão é o spray nasal, o uso endovenoso na depressão é chamado de off-label, ou seja, fora da bula. É uma prática reconhecida e amparada pelo Parecer CFM nº 20/2024, feita com indicação do psiquiatra e termo de consentimento. Alguns marcos da pesquisa:
Berman e colaboradores, Biological Psychiatry, 2000
Primeiro estudo controlado a mostrar efeito antidepressivo da cetamina endovenosa, marco inicial das pesquisas com esse grupo de medicamentos.
Zarate e colaboradores, Archives of General Psychiatry, 2006
Estudo controlado que mostrou efeito antidepressivo rápido da cetamina endovenosa, em horas, em pessoas com depressão resistente. Abriu caminho para as pesquisas com o sistema do glutamato.
Singh e colaboradores, Biological Psychiatry, 2016
Estudo duplo-cego e controlado por placebo com escetamina endovenosa na depressão resistente, com melhora dos sintomas já nos primeiros dias.
Popova e colaboradores (TRANSFORM-2), American Journal of Psychiatry, 2019
Estudo que embasou a aprovação da escetamina em spray nasal para depressão resistente pela FDA (2019) e pela Anvisa (2020).
Daly e colaboradores (SUSTAIN-1), JAMA Psychiatry, 2019
Mostrou que manter o tratamento com escetamina reduziu o risco de recaída em quem havia respondido.
Correia-Melo e colaboradores, Journal of Affective Disorders, 2020
Estudo brasileiro, randomizado, que comparou escetamina endovenosa e cetamina endovenosa na depressão resistente e encontrou eficácia semelhante, com boa tolerabilidade.
McIntyre e colaboradores, American Journal of Psychiatry, 2021
Consenso internacional de especialistas que reúne as evidências e as recomendações de segurança para cetamina e escetamina na depressão resistente.
Reif e colaboradores (ESCAPE-TRD), New England Journal of Medicine, 2023
Comparou escetamina com quetiapina de liberação prolongada, um tratamento usado na depressão resistente, e encontrou mais pessoas em remissão no grupo da escetamina.
Os resultados variam de pessoa para pessoa, e a indicação é sempre individual, definida em avaliação médica.
O ambiente
As infusões acontecem em uma sala exclusiva, reservada e silenciosa, com poltrona reclinável, monitor de sinais vitais e carrinho de emergência, com a equipe presente durante toda a sessão.



Imagens do projeto da sala de infusão.
Para quem é
Segurança e cuidado
Indicação individual
A escetamina não é indicada para todos. Uma avaliação médica criteriosa define se, e quando, ela faz sentido para o seu caso.
Ambiente adequado e monitorização
A aplicação é feita em ambiente apropriado, com o acompanhamento e a monitorização necessários durante todo o procedimento.
Equipe médica
Todo o processo é conduzido e supervisionado por médicos, do preparo à observação após a aplicação.
Integrado ao seu tratamento
A escetamina entra dentro de um plano maior de cuidado em saúde mental, junto com o acompanhamento contínuo.
Como é o tratamento
Avaliação psiquiátrica
Revisamos a sua história, os tratamentos já feitos, exames e condições clínicas para saber se a escetamina é indicada e segura.
Fase inicial
Em geral de 6 a 8 infusões de cerca de 40 minutos, ao longo de algumas semanas, com bomba de infusão e monitorização em cada aplicação.
Manutenção, se indicada
Conforme a resposta, o médico avalia se vale manter sessões espaçadas e por quanto tempo.
Acompanhamento contínuo
A escetamina caminha junto com a psiquiatria, a psicoterapia e os demais cuidados do seu plano.
Na prática
Antes
Você chega com um acompanhante, conversa com a equipe sobre como está e tem a pressão arterial e outros sinais verificados.
Durante
A aplicação é feita em uma poltrona confortável, em ambiente calmo, com monitorização contínua. A equipe acompanha você durante todo o tempo.
Depois
Você permanece em observação por cerca de 60 a 90 minutos, até estar bem para ir embora. No restante do dia, a orientação é descansar e não dirigir.
Segurança
Efeitos passageiros
Sensação de estranhamento (dissociação), tontura, náusea, sonolência e aumento transitório da pressão arterial podem ocorrer e costumam passar nas horas seguintes.
Quando é preciso cuidado
Hipertensão não controlada, algumas doenças cardiovasculares, histórico de psicose e uso problemático de substâncias exigem avaliação específica e podem contraindicar o tratamento.
Monitorização
Pressão arterial e oxigenação são acompanhadas durante a aplicação, e a equipe está preparada para agir se algo sair do esperado.
Decisão compartilhada
Antes de começar, explicamos benefícios, riscos e alternativas, e o tratamento só é iniciado com o seu consentimento informado.
Por que na ComportaMente
Na ComportaMente, a escetamina é conduzida por médicos psiquiatras e integrada ao seu plano de tratamento, com avaliação prévia, ambiente adequado e acompanhamento próximo. Nada de solução isolada: o foco é o cuidado completo com a sua saúde mental.
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Quem conduz
Médico Psiquiatra (adulto) · CRM-DF 29.597 · RQE 20.510
Psiquiatra e diretor técnico da ComportaMente, o Dr. Marco Túlio conduz a avaliação de indicação e acompanha cada etapa do tratamento com escetamina, integrando-o ao restante do cuidado psiquiátrico.
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É uma opção de tratamento aplicada por via endovenosa, sob supervisão médica, considerada em situações específicas de depressão de difícil controle e de dor crônica. Atua por um mecanismo diferente dos antidepressivos convencionais e é sempre indicada de forma individual.
Costuma ser considerada em quadros que não responderam bem aos tratamentos usuais, e em algumas situações de dor crônica. A indicação depende de uma avaliação médica completa, que verifica se o tratamento é seguro e adequado para você.
A aplicação é feita em ambiente apropriado, com monitorização e acompanhamento durante o procedimento e por um período de observação depois. Todo o processo é conduzido pela equipe médica.
Não necessariamente. Ela pode compor um plano junto com outras abordagens. O que define isso é o médico, a partir da sua história e da resposta ao longo do acompanhamento.
Como qualquer tratamento, ela tem indicações, contraindicações e cuidados próprios. Por isso é feita sob supervisão médica, com avaliação prévia e monitorização. Os detalhes do seu caso são conversados na avaliação.
Uma das características da escetamina é que, quando há resposta, ela costuma aparecer mais cedo do que com os antidepressivos habituais, às vezes já nas primeiras sessões. A resposta varia de pessoa para pessoa, e por isso a evolução é acompanhada de perto.
A fase inicial costuma ter de 6 a 8 infusões, de cerca de 40 minutos cada, ao longo de algumas semanas. Depois, conforme a resposta, o médico avalia se há necessidade de sessões de manutenção e com que frequência.
Sim. Nas horas seguintes à aplicação você não deve dirigir, operar máquinas ou tomar decisões importantes. Por isso pedimos que venha com um acompanhante para voltar para casa.
Algumas pessoas sentem uma sensação de estranhamento, leveza ou distanciamento do ambiente, chamada dissociação. Ela é passageira, costuma durar enquanto dura a aplicação e é acompanhada pela equipe o tempo todo.
A escetamina aprovada pela Anvisa para depressão é a forma de spray nasal. A escetamina injetável é registrada como anestésico, e o seu uso endovenoso para depressão é considerado fora da bula (off-label), apoiado por estudos. Na ComportaMente, esse uso segue o Parecer CFM 20/2024: indicação feita por psiquiatra, termo de consentimento, monitorização e observação após a aplicação.
O spray nasal e a aplicação endovenosa usam a mesma molécula por vias diferentes. A escolha depende do quadro e da avaliação médica. Explicamos as diferenças em detalhe no nosso blog.
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