Quando a estimulação magnética transcraniana (EMT) entra na conversa, uma das primeiras perguntas que ouvimos é: “quantas sessões vou precisar fazer?”. É uma dúvida muito prática, porque o tratamento exige idas regulares à clínica e isso impacta a rotina, o trabalho e a organização da família. Na ComportaMente, em Brasília, gostamos de responder com clareza, e a resposta honesta começa assim: existe uma faixa que costuma ser usada, mas o número exato é sempre definido pelo médico, caso a caso.
Este texto é educativo e não substitui a avaliação médica. A ideia é ajudar você a entender como um ciclo de EMT costuma ser organizado.
O que é a EMT, em poucas palavras
A EMT é um procedimento não invasivo que utiliza campos magnéticos para estimular áreas específicas do cérebro envolvidas na regulação do humor. Uma bobina é posicionada sobre a cabeça, a pessoa permanece acordada durante a sessão e, em geral, pode retomar as atividades logo depois. No Brasil, a EMT é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como procedimento para o tratamento da depressão, pela Resolução CFM 1.986/2012.
Ela faz parte da psiquiatria intervencionista e costuma ser considerada, entre outras situações, para pessoas com depressão resistente, quando os tratamentos anteriores não trouxeram a melhora esperada.
Como funciona o ritmo das sessões
A EMT não é um procedimento de sessão única. O efeito é construído ao longo de uma série de aplicações, e por isso o tratamento é organizado em ciclos.
Na fase inicial, as sessões costumam ser frequentes, muitas vezes em dias úteis consecutivos, distribuídas ao longo de algumas semanas. Essa regularidade é importante, porque a estimulação repetida é parte do que se busca com o tratamento. Faltas ocasionais acontecem e são manejadas pela equipe, mas a constância faz diferença.
O número total de sessões do ciclo inicial varia conforme o protocolo escolhido, o quadro clínico e a evolução de cada pessoa. Em muitos casos, o ciclo se estende por algumas semanas, e o médico acompanha a resposta durante todo o percurso para decidir se mantém, ajusta ou encerra o planejamento.
Protocolos convencionais e theta burst
Existem diferentes formas de aplicar a EMT, e isso influencia diretamente a duração de cada sessão.
- Protocolos convencionais de alta frequência (10 Hz): aplicam séries de estímulos com pausas entre elas. Na versão atual aprovada pela FDA, a sessão dura cerca de 19 minutos.
- Protocolo de baixa frequência (1 Hz): os estímulos são contínuos, sem pausas, e a sessão costuma levar de 10 a 15 minutos.
- Protocolos theta burst: utilizam um padrão de estímulos em rajadas e permitem sessões bem mais curtas, de cerca de 3 minutos.
A escolha entre um e outro não é uma questão de “melhor” ou “pior”. Ela considera o diagnóstico, as características da pessoa, a tolerância ao procedimento e a experiência clínica da equipe. Em alguns planos, também se discutem esquemas com mais de uma sessão no mesmo dia, sempre sob indicação médica.
Quando a resposta costuma aparecer
A resposta à EMT tende a ser gradual. Diferente de algo que se sente na hora, a melhora, quando acontece, costuma se desenhar ao longo das semanas de tratamento. Algumas pessoas percebem primeiro mudanças no sono, na energia ou na disposição para tarefas simples, e só depois no humor propriamente dito. Outras notam mudanças mais tarde no ciclo.
Por isso, acompanhamos cada pessoa com reavaliações periódicas durante o tratamento. Essas conversas permitem registrar a evolução, ajustar o que for necessário e alinhar expectativas. Também é importante dizer com transparência que a resposta varia de pessoa para pessoa e que não há como garantir resultado.
E depois do ciclo inicial?
Ao final do ciclo inicial, o médico reavalia o quadro e discute os próximos passos. Algumas possibilidades costumam ser consideradas:
- Encerrar o ciclo e seguir com o acompanhamento psiquiátrico e psicológico regular.
- Sessões de manutenção, com intervalos progressivamente maiores, para algumas pessoas em que isso é indicado.
- Novo ciclo no futuro, caso os sintomas retornem, a critério médico.
A EMT, em geral, faz parte de um plano mais amplo. Ela pode ser associada a medicamentos, à psicoterapia com a nossa equipe de psicologia e a cuidados com sono, rotina e saúde física. Na ComportaMente, essas frentes são coordenadas dentro de um único plano de acompanhamento.
Como organizar a rotina durante o ciclo
Como as sessões são frequentes, vale planejar a agenda antes de começar. Muitas pessoas escolhem um horário fixo, antes ou depois do trabalho, para facilitar a constância. Como não há anestesia, em geral é possível seguir com as atividades normais após cada sessão. Se houver viagens ou compromissos previstos, converse com a equipe com antecedência para ajustar o calendário.
Por que o número é sempre definido pelo médico
Pode parecer mais simples ter um número fechado desde o primeiro dia, mas o tratamento responsável não funciona assim. A quantidade de sessões depende do diagnóstico, da intensidade dos sintomas, do protocolo, da resposta observada e de fatores individuais de saúde. A mesma abordagem pode ter desenhos diferentes para duas pessoas com queixas parecidas.
Antes de iniciar, o médico explica o planejamento previsto, o ritmo das sessões e os momentos de reavaliação. Assim, você consegue organizar a rotina sabendo o que esperar, com a segurança de que ajustes serão feitos quando necessário. Se ainda tiver dúvidas sobre como é a sessão em si, reunimos as mais frequentes em EMT, mitos e verdades.
Um convite para conversar sobre a EMT
Se você está considerando a EMT e quer entender se ela faz sentido para o seu caso, o primeiro passo é uma avaliação médica. Na ComportaMente, em Brasília, nossa equipe revisa sua história com calma, explica as opções disponíveis e, quando houver indicação, apresenta o planejamento do tratamento de forma clara. Se fizer sentido para você, agende uma avaliação e tire suas dúvidas com quem vai acompanhar cada etapa.
